Bio
Nasci no Rio de Janeiro em 10 de Dezembro de 1943, no velho Méier. Memórias? Poucas: uma festa junina na vila, fogueira e capilé; lápis de cor e cadernos, comprados na Casa Touro; balas de coco da cor do ouro, nos tabuleiros das baianas no centro da cidade; “Príncipe veste hoje o homem de amanhã”; Chicabom; horrendas máscaras de carnaval, banhos à fantasia na Ilha do Governador; os perfumes da Ilha: mariscos na praia, carambola na mata. Cinco anos mais tarde, contudo, minha família voltava para o Rio Grande do Sul, para Caxias, na Serra Gaúcha. Ali comecei meus estudos, no Colégio Na. Sra. Do Carmo. Em Caxias, permaneci até os 9 anos. Mudamo-nos então para Porto Alegre.
Foi lá que comecei uma carreira precoce (aos 17) como professor de inglês no Yázigi. Durante meu treinamento, fui apresentado à Teoria da Informação, então nos seus primeiros passos. O Círculo de Praga, McLuhan, Lingüística Transformacional, Cibernética, Marcuse, Estruturalismo, isso se tornou o foco de minha vida.
Ensinar, para o garoto que eu ainda era, parecia o mais maravilhoso dos trabalhos. A metodologia provava sua eficácia (o Yázigi era pioneiro em Lingüística Aplicada e recursos audiovisuais). Os alunos aprendiam mesmo. Minha dedicação teve recompensa. Fui convidado a ser Diretor Técnico do Yázigi de Belo Horizonte. Estava então com 20 anos.
Belo Horizonte em 1962 era uma cidade relativamente pequena. Era, porém, um caldeirão cultural e político. Os dois diários disputavam o mercado intelectual e suas críticas literárias eram citadas em todo o país. Fernando Gabeira era então um jornalista tímido e intenso. Bebendo intermináveis chopes com ele no O Pelicano, discutindo reforma agrária e nacionalização, reconheci o radical, mas nunca me passou pela cabeça que ele fosse seqüestrar o embaixador americano alguns anos depois. O golpe, porém, ainda estava abaixo do horizonte e eu me dediquei a estudar as pessoas e como elas se comunicam.
As cidades coloniais em torno forneceram assunto para minhas aquarelas e me ajudaram a não perder a capacidade de desenhar, que mantenho até hoje.
Minas Gerais fez maravilhas à minha identidade de brasileiro. Em Minas, a História se fez e se faz até hoje.
Mas foi uma estada curta. Dois anos mais tarde, fui convidado a dirigir a escola de Curitiba.
Colóquios com Minerva

Meus estudos de Lingüística e Cibernética evoluíram ainda mais em Curitiba. Estudei sob os pilares clássicos da Universidade Federal do Paraná, bacharelando-me em Línguas Anglo-Germânicas.
Durante quatro anos, dirigi o Yázigie lecionei na Universidade Católica. Fui membro fundador da SPELL (Sociedade Paranaense de Estudos de Língua e Literatura), que congregava os especialistas de ambas as Universidades.
No meu escasso tempo livre, troquei a aquarela pelo óleo.
Razões políticas e pessoais me aconselharam a retornar para Porto Alegre, o que fiz em 1969.
O Mergulho na Propaganda

Voltei a Porto Alegre para trabalhar na Editora Globo, entre cujos autores estava Erico Veríssimo. Fui incumbido de projetos educacionais, publicando livros didáticos para serem distribuídos em todas as escolas do país. Minha carreira em Propaganda começou por acaso.
Um de meus antigos colegas de colégio me encontrou na Rua da Praia. Almoçamos e conversamos sobre as coisas que nos tinham acontecido durante aquela dúzia de anos. Foi um longo almoço, como costumam ser em Porto Alegre.
Acontece que esse cara era redator na MPM e me convidou para dar um breve curso sobre a Teoria da Informação, que ele percebeu como essencial à Propaganda.
Como de fato é. O que deveria ter sido um mês de aulas noturnas tornou-se um seminário de noventa dias, em que conheci gente extraordinária como Antonio Mafuz, Adão Juvenal de Souza, José Antonio de Moraes e o filho de Veríssimo, Luiz Fernando, um genial redator, hoje ele próprio um escritor de sucesso.
Adão me convidou a fazer parte da equipe da MPM. E, pelos quatro anos seguintes, trabalhei em Porto Alegre, passando pela Standard de Flávio Correia e pela McCann de Ito Ferrari, antes de rumar para nossa Big Apple: São Paulo.
Os anos setenta estavam começando, assim como o boom de Delfim Neto. Comecei a trabalhar como contato na Nexus de José Leão de Carvalho.
Leão era tão fanático por aprendizado e treinamento quanto eu. Ele passou para o time tudo que aprendera no Curso de Solucionamento Criativo de Problemas da Universidade de Buffalo.
Foi um período fantástico, para mim e para todos os que então trabalhavam em Propaganda. A economia prosperava, novas tecnologias eram implementadas, o país reconquistava confiança e identidade.
Os Setenta permanecerão como o auge da criatividade e ousadia brasileiras. Mas o boom morreu com um suspiro e o desemprego estourou, principalmente na arena dos serviços.
Vi-me bruscamente sem emprego nem perspectivas. Foi então que a Sorte me chamou de novo.
A Nova Fronteira

Em 1978, Goiás para mim não era mais que uma vaga memória das aulas de Geografia. Todo mundo sabia que Brasília estava lá, mas para além dos limites do DF, Goiás não existia. Contudo, após meses de procura, a única proposta que aparecera era em Goiânia: o Diário da Manhã estava procurando um Diretor de Marketing.
Viajei para um encontro com o Editor, Batista Custódio. Ele e a cidade me encantaram de saída.
Goiânia é uma cidade jovem e bela, cheia de verde e flores. A proposta era tentadora e deixar São Paulo parecia o melhor a fazer naquele momento. Aceitei e fiz minha marcha para Oeste.
O mercado começava a se profissionalizar. A experiência trazida de São Paulo foi posta a bom uso e logo fui cooptado por uma agência local, a Uniart, onde passei os sete anos seguintes. Durante esse período, dirigi por um ano o escritório de Brasília.
A Costa e o Sol

Mas para um sujeito como eu, habituado ao movimento desde menino, eu já havia ficado o bastante no mesmo lugar. Nosso país é fascinante e suas praias me chamavam. Dois convites me afastaram de Goiânia.
O primeiro foi para Belém do Pará, onde por um ano dirigi a house agency do Grupo Belauto. O segundo foi para a Bahia. Salvador sempre foi uma de minha cidades favoritas e a oportunidade de viver ali era irresistível. Trabalhar com Duda Mendonça na DM-9, mais irresistível ainda. Eu achava que sabia tudo sobre Propaganda, mas Duda me ensinou uns truques novos. A Arte do Jingle, por exemplo. Ou o que de fato é emoção em Propaganda.
De Volta para o Interior
Assim, como exausto bandeirante, voltei para o sol ofuscante, a gente boa e o mercado emergente de Goiânia. Participei da eleição do Governador Maguito Vilela em 94 e, durante o primeiro ano de sua Administração, fui chefe de Gabinete da Secretaria de Comunicação.
O Coração do Brasil

Brasília é onde finalmente estabeleci meu home office. Aqui, no centro do poder federal, presto consultoria de marketing, planejamento e business intelligence para diversos clientes.
Habitada por mais de 2 milhões de pessoas de todos os lugares – mineiros e goianos, piauienses e pernambucanos, cariocas e gaúchos – Brasília é uma síntese do próprio país. E, como síntese, acentua e agudiza dialeticamente as contradições, abrindo caminho para novas teses. O conceito compartimentalizado e segregador que gerou a cidade facilita a percepção desses contrastes. E, no exíguo espaço de seu território, a profunda brecha que separa as classes é ainda mais claramente visível.
Brasília, portanto, não é a Ilha da Fantasia. É um imenso laboratório onde, por tentativa e erro, se elabora a fórmula do futuro do Brasil.


Janeiro 29, 2008 às 17:00
Henrique,
Adoro poesia e gostei muito das suas obras. Sabe o que me trouxe a este blog? O seu amigo de longa data Berardo Nunan. Ele quer muito entrar em contato com você, mas não sabe como. O meu e-mail é heloisahelena@greenwich.com Se puder, me mande o seu e-mail ou algum tipo de contato que eu possa passar para o Berardo.
Um grande abraço,
Heloisa Helena.
Setembro 28, 2008 às 16:31
Henrique,
C’est amusant comment en fin de compte derrière chaque “expert en technologie” (ou tecnologue), se cache une âme sensible, capable de poésie, romans, e autres activités artistiques…
Amitiés,
Philippe.