Minueto

Dança da Morte

Cortejar a morte,
dançar com ela
o minueto obscuro,
sentir que o sangue
se adensa,
que o coração impele,
desesperadamente,
o que ainda resta
de vida
aos extremos do corpo.

Cortejar a morte,
trocar com ela
as palavras ocultas,
sentir que a luz
se afasta,
que o espírito tateia,
apaixonadamente,
o que está para lá
da vida,
nas fronteiras do Inferno.

Cortejar a morte,
cantar com ela
a canção do adeus,
sentir que o passado
se apaga,
que o desejo olvida,
preguiçosamente,
o que um dia sonhou
da vida,
para nunca mais.

Cortejar a morte,
descobrir com ela
o sabor do agora,
sentir que o presente
se adoça,
que o corpo empolga,
obstinadamente,
o que há por viver
da vida,
para além do medo.

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