
Esse tango nasceu quando a polícia de Buenos Aires tirou os tocadores de realejo das ruas. Diziam que perturbavam o sossego da burguesia. A letra lembra a chegada de um realejo num arrabalde. Um cavalo magro, um manco e um macaquinho. Procuram um lugar “onde se misturem as luzes da lua e do armazém”. Em suas andanças, o realejo chega à casa da “vizinha morta”, aquela que se “cansou de amar”. E ali mói tangos, para que chore o cego inconsolável. Esse cego é personagem de um poema de Evaristo Carriego, grande poeta argentino.
É uma peça melancólica (é tango) que lastima a desaparição daquele veículo de difusão de música, dizendo que “a alma do subúrbio ficará sem voz”. O realejo foi um grande propagador dos ritmos poderosos do tango, considerado música de “bas fond” pela burguesia.

Grande intéprete deste tango é Susana Rinaldi, hoje uma senhora de avançada idade mas sempre consciente do ritmo em que andam as emoções.
Não encontrei no YouTube a Rinaldi cantando o “Organito” mas, para quem aprecia um tango, aí vai:








